Porque nem só de física vive(u) a humanidade:

Quote Of The Day:

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

8º Capítulo: Pós-Latada

Mais de um mês passou desde que escrevi aqui pela última vez.

Sei que este interregno é algo lamentável num projecto que à partida servirá para acompanhar o dia-a-dia de um caloiro do departamento de física da FCTUC, no entanto, e recordando ao que me propus no início, este blog servirá essencialmente para quem esclarecer quem estiver a ponderar vir para este mesmo departamento na altura em que fizer as escolhas das suas opções para o ensino superior. Deste modo, está explicada em parte a minha ausência.

Prosseguindo, em relação ao post anterior algumas coisas mudaram. A escola já passou a ser "a sério". E com isto quero dizer que já fiz frequências, já tive alguns mini-trabalhos para apresentar, enfim, quero dizer que já praticamente acabou aquele período em que o ensino superior ainda é novidade e ainda estamos a descobrir um mundo novo. Esse ponto de transição deu-se na latada: uma semana que aconselho a todos os futuros "caloiros". Pelo menos aqui em Coimbra é algo que dificilmente se consegue ser indifirente e nos envolve de uma maneira extraordinária.

Continuando...

Por esta altura já deu para ter uma ideia do nível de dificuldade e, tal como esperava, está a um nível completamente diferente do secundário, mas também, ao contrário do que muita gente possa pensar (sim, porque ainda há um estigma que Física/Eng.Físca é muito mais difícil que um qualquer outro curso), não é nada do outro mundo, nem nada que não se faça com um minimo de esforço. Em suma, comparativamente com o secundário que naturalmente ainda está muito presente, o nível de exigência é totalmente diferente. Não tanto em termos de dificuldadde de matéria, porque nesse aspecto acho que está proporcional ao que é suposto aprendermos, mas mais ao nível de exigência de trabalho. Bolonha exige que trabalhemos 8 horas por dia, já com o tempo de aulas, e esse é um número de horas que nem é muito exagerado para se fazer isto sem problemas. Não que muita gente o cumpra, mas isso é outro assunto. Eu por exemplo, devido a alguns maus hábitos do secundário ainda não me consegui disciplinar a estudar de forma contínua e disciplinada, o que leva a que alguns resultados tenham ficado um pouco abaixo do esperado, se bem que também nada de muito preocupante.

Por último, só tenho de referir algo que não consegui deixar de notar: é algo inaceitável chegarmos à faculdade e desde as primeiras aulas nos apercebermos que durante o secundário não há um mínimo esforço por parte do sistema para nos preparar minimamente. Notei isso por exemplo quando nos foi ensinada a regra de L'Hopital para resolver limites, o que se nos tivesse sido ensinado no secundário, nos pouparia algum trabalho a decorar e interiorazar técnicas.

Com promessa de futuros posts menos intervalados, cumprimentos

Caloiro Fotónico

domingo, 5 de outubro de 2008

7º Capítulo: Tempo

Tempo: dimensão física que foi amplamente underrated por mim até agora. E neste até agora refiro-me até há coisa de duas semanas atrás, altura em que ainda não pertencia ao desafiante mundo do ensino superior.

E se comecei este texto a referir-me ao quão subvalorizado por mim era o tempo, é por de mais evidente que o fiz para contrapor a ideia actual: o TEMPO neste momento é algo que escasseia e por isso é algo agora bastante importante. E assim, com este espécie de lead jornalístico deixo o meu primeiro conselho como estudante universitário para os futuros caloiros: aproveitem a possibilidade que o secundário vos dá de terem tempo para não fazer nada. É que agora, apesar de o tempo chegar para tudo o que é importante e prioritário sem que se tenha de entrar em alarmantes pressas e correrias, não há tempo para nos deleitarmos e regozijarmos a fazer nada. E com este nada refiro-me por exemplo a perder uma tarde a ver os "maravilhosos" filmes da nossa televisão ou algo deste género. Posto isto, tempo para dar destaque a temas /aspectos relevantes da semana que passou:

  • O grau de dificuldade já começar a ser "sério". Depis de uma primeira semana em que praticamente foi só tempo de apresentações, nesta segunda semana já tivemos aulas a sério. E como é de esperar num curso como o meu, facilidades não aparecem por aqui.
  • Tive pela primeira vez na vida estudantil uma aula em que saí a saber exactamente o mesmo em que entrei. Aconteceu na primeira aula de Química Geral. E ter referido waesta disciplina não foi foi aleatório, fi-lo porque foi das disciplinas que mais ouvimos antes de o conhecer. A aula teve a particularidade de ter sido dada baseado num Powerpoint, com a informação prévia que o mesmo seria facultado aos alunos, cujos temas, pelo que me pude aperceber, eram desconhecidos da quase totalidade dos estudantes.
    Esta semana teremos aula outra vez. Veremos como vai ser.
  • Houve mais uma quarta-feira com direito a palestra organizada pelo NEDF. Depois de na semana passada termos tido a oportunidade de assistirmos a uma palestra sobre Nanotecnologia, esta semana tivemos direito a uma outra sobre WEB 2.o. Caso para dizer que um departamento dinâmico é sempre uma mais valia =)
Acho que o essencial está referenciado. É certo que houve mais coisas dignas de destaque, mas se há coisa que é essencial é, além de saber gerir a informação, é saber onde a divulgar. E para o objectivo deste blog, penso que por esta semana o mais importante já está registado.

See you next week,

Luís Miguel

domingo, 28 de setembro de 2008

Capitulo 6: The Beginning

Como o prometido é devido, aqui vos deixo o capítulo referente à primeira semana passada em solo Coimbrão, mais propriamente pelos lados do Departamento de Física.

E acho que devo começar por aquilo que muita das vezes mais atemoriza os futuros estudantes do ensino superior: a sempre polémica praxe. Nota breve: em Coimbra os estudantes, regre geral, apenas são praxados por “doutores” do mesmo curso ou, quanto muito, do mesmo departamento. Isto não é nenhuma regra estipulada, mas acho que é uma questão de bom senso que assim seja. Deste modo, nós, caloiros do departamento de Física desta mui nobre instituição apenas temos de nos “preocupar” com os estudantes do Departamento.

Serve tudo isto para dizer que praxe mais soft seria quase impossível pedir e acho que isto é elogio mais do que honroso para os doutores do departamento. Prosseguindo com a temática humana, aproveito para desmistificar qualquer preconceito que possa existir: as pessoas de física não são todos uns altos nerds que só vêem física à frente, ninguém usa óculos “fundo cu de garrafa”, o pessoal do departamento de física gosta de se divertir (venha de lá esse COPO), ou seja, somos pessoas absolutamente normais (descontextualizando a coisa, não posso deixar de ter a sensação que acabei de escrever um oximoro, mas isso não interessa para este caso.)

Passando o assunto da praxe à frente, centro-me agora nas aulas. Sim, porque mesmo em Coimbra, cidade sobejamente conhecida pelo seu longo período de praxe, a primeira semana de aulas também é sinónimo disso mesmo: aulas. Também é verdade que ainda não começámos com nada propriamente complexo, mas já realizámos alguns testes diagnósticos (ponto de partida a meu ver fulcral) e já realizámos exercícios em Física Geral - cadeira esta que nos proporcionou os primeiros trabalhos de casa do semestre.

Em relação ao corpo docente deste primeiro semestre ainda não tive oportunidade para ter grande feedback, mas uma coisa já deu para perceber: beneficiamos do facto de não sermos muitos, o que leva a que os professores sejam mais próximos de nós do que muita das vezes estamos à espera no ensino superior. Estou também certo que haverá excepções, mas é isso que me faz dar destaque aos que não são excepção.

Para terminar, não posso deixar de referir o primeiro jantar de curso da minha vida académica: teve lugar na passada quinta-feira e foi a primeira vez que nós, caloiros, tivemos uma visão mais geral dos nossos colegas (o facto de boa parte dos alunos do 4º/5º ano já não andarem muito pelo departamento fez com que só durante o jantar tivéssemos contacto com eles).

Com a promessa de mais relatos num futuro próximo….

Cumprimentos,

Luís Miguel

Capitulo 5: A Interacção

Primeiro de tudo, quero pedir desculpa pela fraca assiduidade minha a este espaço, mas vocês, doutores, de certeza que sabem o quão complicada pode ser a primeira semana no ensino superior. Assim sendo, ainda não será hoje que farei o relato da experiência, mas será para breve (amanhã, se possível). No entanto, hoje também terão algo para ler. Ou talvez não, caso já tenham lido o Anti-Matéria, o jornal do departamento. Sim, porque nós, como pessoas ligadas à física somos conhecidos pela nossa versatilidade e capacidade de adaptação, e nada melhor que expandir o talento a outras áreas.
Deste modo, deixo-vos aqui um texto escrito por uma outra caloira do meu curso, a Maria. Eu simplesmente achei-o fantástico e mal o li a ideia de o partilhar aqui foi instantânea.
Enjoy It!




"Ao percorrer o espaço em declive acentuado é impossível negar a entrada ao fascínio perante tal anfiteatro de ruas e casas, os gigantes de pedra
erguem-se em posição imponente: a universidade
já está perto. Coimbra das canções, tão meiga que põe os corações dos caloiros a nu, já consumidos por tamanha admiração. Qualquer tentativa de reconhecer nos rostos que vão passando
alguma expressão familiar cai por terra - tudo é estranho nesta nova cidade. O edifício
a que passará a associar a palavra “ensino” distende-se por uma área muito superior àquela que estava habituado a percorrer; a palavra “praxe” tem um significado que vai muito além de um modesto pintar de caras e o caloiro receia
que o ritual da tradição tenha sido substituído
por exercícios mais arrojados. Fazendo a digestão do que observa, um dos muitos novos rostos da universidade é assaltado por dúvidas que lhe preenchem por momentos o pensamento:
O curso que colocou como primeira opção terá sido a escolha certa?, Que dirá, impotente perante tanta gente de capa negra a bracejar e a ordenar? Estas são as arritmias de quem toma contacto com o universo do ensino superior pela primeira vez.
De um ponto de vista mais objectivo, os receios de um caloiro estão essencialmente relacionados
com o elevado grau de exigência deste nível de ensino e com a inevitável realidade de ter de se tornar completamente autónomo. Combater a nostalgia de fim de dia será uma constante e a presença quotidiana dos familiares e amigos de longa data como uma necessidade primária dissolver-se-á com o passar do tempo – a universidade
é também loco de introspecções; verbalizar
e partilhar inquietações, tomar conhecimento
das experiências de quem por Coimbra já criou raízes torna-se essencial. Mudanças de carácter mais burocrático também fazem a insegurança
destas novas caras – os três períodos escolares deram lugar a dois semestres (e que tão longos soam), os testes sumativos são substituídos
por frequências, as turmas são agora multidões de gente desconhecida. No que concerne
a pontos mais positivos, o caloiro sonha a universidade como fonte de grandes amizades e como oportunidade de atribuir um significado à palavra “companheirismo” devidamente fundamentado;
os dias que faltam preencher até vestir pela primeira vez o traje académico são devidamente contados (isto, naturalmente, para quem deseja ser também um “capa negra”).
Com alguns anos de vida académica pela frente, espero também eu construir Coimbra como uma lição de sonho e tradição, onde só passa quem souber, e se aprende a dizer saudade.

Maria Daniela S. Pires"

domingo, 21 de setembro de 2008

Capítulo 4: A Partida

Este será dos "capítulos" mais curtos do diário.

Como esta semana foi passada maioritariamente em casa a ultimar os pormenores da mudança, sou levado a induzir que a minha experiência não terá sido muito diferente dos restantes.

No entanto, não posso deixar de fazer notar já a grande interacção que existe entre os "caloiros" do departamento e os "doutores", e isso deve-se em grande parte à existência do Fotão. Graças a este projecto e a um user em particular tive a oportunidade de antever parte das actividades em que poderei estar envolvido durante o ano. E posso adiantar que fiquei bastante entusiasmado.

Sem mais nada de notório para referir, apenas quero referir que possivelmente só voltarei a actualizar este espaço na próxima sexta-feira. Não porque ache que até lá nada de importante se passará, bem pelo contrário, mas apenas porque ainda não resolvi a parte de ter Internet em Coimbra.

Até lá...

Luís Miguel

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Capítulo 3: A Espera

Já devia ter escrito este capítulo ontem, mas a inércia - "lei física" que actua sobre todos os corpos - não o permitiu. E devia tê-lo escrito ontem porque foi ontem que fui fazer a matricula e tratar da parte burocrática inerente a morar em Coimbra em tempo de aulas, a.k.a procurar quarto.


- A parte da matrícula foi o primeiro contacto com a faculdade/vida académica: muitos caloiros na mesma situação que eu e alguns doutores prontos para as primeiras praxes do ano. Era tempo de ir para a fila.

Tempo de ir para a fila e esperar pela minha vez. E esperar foi coisa que não tive a chance de me cansar de fazer: como cheguei relativamente tarde (cerca das 11:30) já havia bastantes pessoas à minha frente. Mas nem tudo foi negativo, uma vez que deu para presenciar algumas praxes aos alunos que acabavam de se matricular e, não menos importante, perceber a reacção de estudantes mais velhos quando ouviam a minha resposta à sempre comum pergunta de que curso eu era. É um bocado estranho ser questionado se estava de perfeito juízo quando me candidatei a Eng. Física, ainda para mais em 1º opção. É ainda mais estranho ver a expressão das pessoas quando invariavelmente eu respondia que sim.
Ah, também não pude deixar de achar engraçado ter ouvido alguém de dentro do sítio onde realizámos a matrícula chamar pelo nome. Caso para dizer que este blog tem leitores.

Findo que estava o tempo na fila, era tempo de proceder à matricula propriamente dita. Acredito que a minha não foi diferente de todos os outros, por isso passo directamente para a parte em que fui de encontro aos representantes do departamento: O Elfo e a Angela eram os anfitriões que me esperavam e só tenho a dizer bem deles. "Conhecia-os" do Fotão, e o contacto ao vivo apenas veio confirmar as boas suspeitas iniciais. BTW, tinham lá uma t-shirt muito bacana para nós.

A parte relativa à matrícula supostamente devia terminar com a praxe de boas-vindas....mas digamos que consegui enganar-me e sair numa porta onde não tinha ninguém à minha espera.

- Posto isto, foi tempo de procurar alojamento. Aqui acredito que também não fui diferente da maioria do pessoal: já ia +/- conhecedor das zonas onde deveria tentar ficar e foi nisso que me baseei. Só vi duas casas, tendo ficado na segunda. A localização perto da escola, as condições mais do que razoáveis e um preço também razoável foram os factores que pesaram.

O próximo passo é mudar-me de armas e bagagens para lá. Mas isso só acontecerá no próximo domingo. Até lá vou gozar e aproveitar o facto de ter quem cozinhe para mim e de não ter ninguém a querer praxar-me.

Saudações fotónicas,

Luís Miguel

domingo, 14 de setembro de 2008

Capítulo 2: 90210

90210 - era esta a série que estava a ver quando recebo uma SMS com o seguinte texto: "FMUC". Eram cerca das 23:30.

A partir deste momento, deixei a série e fui para a frente do computador tentar confirmar onde também eu estava colocado. Soube que estavam a mandar mails a informar. Fui ver ao Outlook: nada. Li que o pessoal que usava Gmail não estava a receber.

Restou-me esperar.

Pouco faltava para a meia-noite quando o site das colocações ficou activo e confirmei a minha entrada: Engenharia Física na FCTUC. Esta era a minha primeira opção e foi lá que entrei.
Não podia ter desejado melhor coisa para presentear o início da maioridade.

Foi tempo de ver onde tinham sido colocado alguns dos amigos próximos. Fiquei contente ao verificar que quem eu gostava realmente de ver a entrar na 1ª opção o conseguiu (parabéns Inês, e especialmente, muitos parabéns Beatriz). Outros houve que não tiveram a mesma sorte: as súbitas subidas das médias, principalmente de engenharia, fez com que muitos amigos meus não entrassem nas suas primeiras opções. Foi pena.
E claro, também houve aqueles que sabia que entravam na primeira opção: Eirinha, boa sorte ;).

Feito isto, foi altura para trocar as primeiras impressões e festejar.

Sem grandes alaridos, aqui está a história da minha colocação, que de certo, não diferiu muito de grande parte dos candidatos.

Por último, apenas querias realçar o facto de Eng. Física ter tido todas as vagas preenchidas. Tal já não sucedia há algum tempo, e não deixa de ser um facto merecedor de destaque.
De parabéns estão todos os que continuamente trabalham para fazer o Departamento de Física um departamento de excelência, e ainda aqueles que muito trabalharam para divulgar o trabalho feito: O NEDF está de parabéns.

PS1: Boa sorte a todos aos que entraram no ensino superior. A quem não o conseguiu ou não entrou onde queria, resta-me dar força para que continuem a tentar.

PS2: Desculpem o tom mais pessoal do post, mas é extremamente complicado conseguir separar nesta altura o caloiro Luís Miguel da pessoa Luís Miguel.

PS3: Raquel, por tua culpa fiquei com o episódio a meio.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Capítulo 1: A Escolha

Feita que está a apresentação do projecto, é tempo de passar à acção propriamente dita.
E creio não estar errado ao afirmar que não há melhor maneira de começar um projecto do que pelo início. No meu caso e, quase que arriscaria dizê-lo, de todos os (futuros) caloiros) esse início acontece na altura em que temos a noção de que as escolhas estão feitas e a candidatura irremediavelmente entregue.

No entanto, este é um início algo ambíguo, pois é também ele o terminus de 12 anos - engraçada como é ténue a fronteira entre uma coisa e outra - em que a nossa vida foi facilitada pela "sorte" de não termos de fazer grandes escolhas.

Escolhas: é precisamente este o tema sobre o qual vai incidir o post de hoje.

A primeira que me recordo de fazer não foi bem uma escolha (e não me estou a referir entre ter de escolher entre francês ou inglês no 5º, entre ter ou não EMRC ou entre ter Visual ou Tecnológica no 9º). Ora vejamos: tinha acabado de concluir o 9º ano com a mesma classificação a todas as disciplinas, tinha feito os (arriscar-me-ia a dizer dispensáveis) testes psicotécnicos que me indicavam que estaria apto para qualquer área e não tinha nenhuma ideia concreta do que queria fazer "quando fosse grande". Posto isto, restava-me a gratificante tarefa de escolher o agrupamente a seguir apenas de acordo com o que eu gostava, sem a pressão psicológica de ter de excluir algum por ser mau à disciplina (vê-se muitos casos destes, principalmente em relação à Matemática e vá, no meu caso Artes não conta :P). E entre as específicas que diferenciavam os diversos agrupamentos, eu gostava principalmente de Matemática e de Fisica-Quimica. Concluindo: Ciências e Tecnologias seria o meu plano de estudos durante 3 anos.

3 anos que são marcados invariavelmente por duas coisas: preocupação com a média e o constante questionamento sobre o que seguir. Quanto à primeira preocupei-me em tê-la alta o suficiente para chegar a esta altura e estar relativamente sossegado quanto à pressão de poder não entrar. Consegui-o fazer. Possivelmente demasiado bem.
Quanto à segunda...bem, quanto a esta fui adiando com o sempre simpático "ainda não sei". E era verdade. Sabia que queria algo que envolvesse Matemática e Física (uma engenharia seria quase certa), mas não sabia o quê em concreto. Já tinha uma ideia de onde queria, mas mesmo essa ainda teve de ser posteriormente ponderada para estar certo que conseguia conciliar o que queria com o que seria a melhor decisão em termos de futuro profissional.

Findos estes 3 anos e feitos que estavam os exames, era altura de ponderar seriamente o que queria e devia seguir. E voltava a ponderar as minhas possibilidades: continuava a gostar de física e de matemática e sabia que queria uma engenharia. Foi com isto em mente que comecei a trocar impressões com colegas mais velhos, com colegas da minha idade, com o pessoal que ia deixando o seu testemunho no exames.org.
O primeiro feedback que tive só veio confirmar o que já sabia. FEUP e IST ainda são aos olhos de muita gente O local para se tirar uma engenharia em Portugal. O frase "Tens um gajo que tira um curso em Coimbra e outro no IST ou FEUP, mesmo que o de Coimbra tenha melhor média, qual achas que uma empresa vai contratar?" foi lida e ouvida por mim umas quantas vezes. Era uma pergunta retórica, no entanto, e para um qualquer caloiro que queira a minha opinião no futuro, a essa pergunta respondo o seguinte: só contrata o gajo do IST ou FEUP por dois motivos: ou tem protocolos com as instituições e por isso mesmo os alunos por elas formadas têm acesso directo, ou os directores de recursos humanos (DRHs) são umas bestas autênticas - é que julgar a habilidade de dois candidatos que hipoteticamente estão em igualdade de circunstâncias pelo sitio onde cada um estudou é tirar toda a autonomia e livre-arbitrio ao aluno, fazendo dele um ser sem capacidade de inciativa/empreendedorismo/curiosidade para ir mais além. Outro episódio que recordo bastante bem sobre este tema aconteceu entre mim e um amigo meu. Estavamos mais outro pessoal amigo a passar férias depois dos exames, quando ele se vira para mim e diz algo do género: "Tu sempre queres ir para Coimbra, não é?", ao que respondo que estava a pensar seriamente nessa possibilida. "Oh Luís, acho-te um crânio, muito mais inteligente do que eu, e vais tirar uma engenharia em Coimbra para quê?". O Rodolfo está também neste momento, tal como eu, à espera de colocação. Todas as opções dele foram para a FEUP.Ah, e convém referir que ele exagerou claramente na parte do crânio.

Mas retomando a ideia...

Apesar do que ouvia, o conceito de melhor a mim sempre me fez alguma espécie. Eram melhor em quê? Eram melhores porquê? Eram melhores em que sentido? É que apesar de tudo não tenho a minima dúvido que todo o prestígio que estas instituições têm é merecido e que são ambas do melhor que o país tem para oferecer no que a engenharias diz respeito. No entanto, teriam de ser também o melhor para mim para que as considerasse como escolhas definitivas para mim. Não o foram.

E não o foram porque o curso que depois de alguma pesquisa achei ser o indicado para mim (aqui não há muito a contar, cada um terá de saber isso por si) só havia no IST (referindo-me apenas a IST e FEUP) - Mestrado Integrado em Engenharia Física Tecnológica- e era ligeiramente diferente do que pretendia.

Escolhido que estava o curso - Eng. Física - era hora de escolher a instituição.
Há neste momento 4 instituições que oferecem o curso: FCUP, FCT-UNL, UA e FCTUC.
As duas primeiras fizeram-me "comichão" por serem mestrado integrados (a ideia de ser o único estudante na Europa a ter de os frequentar porque não dá jeito às escolas dividirem os cursos em dois ciclos normais ainda é algo que não consigo atingir plenamente...mas que sei eu? afinal de contas sou apenas um pré-caloiro.). Restava UA e FCTUC.

UA é mais perto de casa, tem vindo a ter cada vez mais prestígio (marketing? não dúvido que o seja em parte, mas dúvido ainda menos que terá também bastante mérito nisso), era uma licenciatura de 1º ciclo seguida de 2º ciclo, dando-me aquilo que Bolonha deveria oferecer a todos por direito: mobilidade.

No entanto, a escolha recaiu na FCTUC. Motivos houve vários: foi aqui que surgiu o primeiro curso de Eng.Física do país, o Departamento de Física da UC é tido como dos melhores do país, tem um corpo docente mais do que qualificado, segundo o que já pude apurar também é bastante dinâmico no que a actividades diz respeito, é constituido por um 1º ciclo seguido de 2º ciclo onde posso optar não por 1, não por 2, mas por 6 áreas de escolha (já estou a contar que quando concluir o meu 3º ano este mestrado esteja a funcionar a todo o gás), já conhecia o Departamento de ocasiões passadas. E estas foram as questões "racionais" para escolher este curso aqui. Razões estas que tinha de ter bem presentes para não escolher Coimbra por ser o sítio onde me via a estudar desde que me imaginei no Ensino Superior.

A escolha estava feita.

O passo seguinte foi ligar a Net, ir ao site da Direcção Geral do Ensino Superior e inserir os dados da candidatura. Fiz isto no dia 1 de Agosto.

Cumprimentos,
Luís Miguel

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Prólogo

São 23:37 horas, segunda-feira, 8 de Setembro de 2008: largos milhares de alunos esperam ansiosamente pelos resultados das candidaturas ao ensino superior, que sairão no dia 15. E eu não sou excepção.

Dia 15 será tanto o culminar como o desenlace de 12 anos que tiveram como objectivo preparar-nos para o "next big step". E o próximo grande passo é o desconhecido e por isso temido Ensino Superior.

No entanto, os 12 anos que mediaram o ano de 1996 e o de 2008 permitiram o desenvolvimento de algo que actualmente nos é indispensável: a Internet.
E porque é que me estou a referir a esta espantosa invenção que os nossos amigos físicos nos presentearam, perguntarão vós, certo? A resposta é simples: a Internet veio possibilitar ao mundo em geral, mas principalmente aos jovens da minha geração (que é o grupo que me interessa focar) a possibilidade de acederam de forma incrivelmente fácil à informação de que necessitam. Continua a não ser claro o motivo de me referir à Internet? Talvez tenham razão, e deste modo passo a explicá-lo: é por causa da existência de Internet que este projecto existe. Não só pela forma como ele chega até vós como é óbvio, mas também porque foi através de algum tempo a navegar na rede global que surgiu a oportunidade de desenvolver este projecto: numa altura em que grande parte do meu tempo era gasto a recolher informações sobre o que seguir, o meu caminho foi dar a dois locais - o exames.org numa primeira fase e o fotão numa fase posterior.

Nestes dois locais encontrei aquilo que procurava: testemunhos de alunos mais velhos sobre os cursos que frequentavam e que me poderiam interessar, feedback de como é ser estudante do Ensino Superior, conselhos úteis, enfim, informação que me ajudou na hora de fazer a candidatura. E se o primeiro fórum é do conhecimento geral para que é que serve, já o fotão surgiu como espaço natural a frequentar depois de eu ter feito a candidatura, uma vez que se trata do fórum oficial do Departamente de Física, da Universidade de Coimbra, que salvo alguma anomalia imponderável será o meu local de estudo nos próximos 5 anos.

Este último revelou-se particularmente útil, pois é composto exclusivamente por pessoas que estão a seguir a área que pretendo ingressar e se isso não fosse suficientemente útil, todos eles se revelaram bastante prestáveis na altura de fornecerem ajuda ou informações.

E é exactamente esse o propósito deste blog: ser um utênsilio para que daqui a um ano um qualquer futuro caloiro fotónico tenha mais uma fonte de informação sobre aquilo que pode encontrar.

Para terminar, quero apenas deixar uma mensagem de agradecimento a toda a comunidade do fotão e um agradecimento em particular à Margarida Matos, não só pelo desafio que ela me propôs, mas também pelas dicas e paciência.

Cumprimentos,
Luís Miguel