Porque nem só de física vive(u) a humanidade:

Quote Of The Day:

domingo, 28 de setembro de 2008

Capitulo 5: A Interacção

Primeiro de tudo, quero pedir desculpa pela fraca assiduidade minha a este espaço, mas vocês, doutores, de certeza que sabem o quão complicada pode ser a primeira semana no ensino superior. Assim sendo, ainda não será hoje que farei o relato da experiência, mas será para breve (amanhã, se possível). No entanto, hoje também terão algo para ler. Ou talvez não, caso já tenham lido o Anti-Matéria, o jornal do departamento. Sim, porque nós, como pessoas ligadas à física somos conhecidos pela nossa versatilidade e capacidade de adaptação, e nada melhor que expandir o talento a outras áreas.
Deste modo, deixo-vos aqui um texto escrito por uma outra caloira do meu curso, a Maria. Eu simplesmente achei-o fantástico e mal o li a ideia de o partilhar aqui foi instantânea.
Enjoy It!




"Ao percorrer o espaço em declive acentuado é impossível negar a entrada ao fascínio perante tal anfiteatro de ruas e casas, os gigantes de pedra
erguem-se em posição imponente: a universidade
já está perto. Coimbra das canções, tão meiga que põe os corações dos caloiros a nu, já consumidos por tamanha admiração. Qualquer tentativa de reconhecer nos rostos que vão passando
alguma expressão familiar cai por terra - tudo é estranho nesta nova cidade. O edifício
a que passará a associar a palavra “ensino” distende-se por uma área muito superior àquela que estava habituado a percorrer; a palavra “praxe” tem um significado que vai muito além de um modesto pintar de caras e o caloiro receia
que o ritual da tradição tenha sido substituído
por exercícios mais arrojados. Fazendo a digestão do que observa, um dos muitos novos rostos da universidade é assaltado por dúvidas que lhe preenchem por momentos o pensamento:
O curso que colocou como primeira opção terá sido a escolha certa?, Que dirá, impotente perante tanta gente de capa negra a bracejar e a ordenar? Estas são as arritmias de quem toma contacto com o universo do ensino superior pela primeira vez.
De um ponto de vista mais objectivo, os receios de um caloiro estão essencialmente relacionados
com o elevado grau de exigência deste nível de ensino e com a inevitável realidade de ter de se tornar completamente autónomo. Combater a nostalgia de fim de dia será uma constante e a presença quotidiana dos familiares e amigos de longa data como uma necessidade primária dissolver-se-á com o passar do tempo – a universidade
é também loco de introspecções; verbalizar
e partilhar inquietações, tomar conhecimento
das experiências de quem por Coimbra já criou raízes torna-se essencial. Mudanças de carácter mais burocrático também fazem a insegurança
destas novas caras – os três períodos escolares deram lugar a dois semestres (e que tão longos soam), os testes sumativos são substituídos
por frequências, as turmas são agora multidões de gente desconhecida. No que concerne
a pontos mais positivos, o caloiro sonha a universidade como fonte de grandes amizades e como oportunidade de atribuir um significado à palavra “companheirismo” devidamente fundamentado;
os dias que faltam preencher até vestir pela primeira vez o traje académico são devidamente contados (isto, naturalmente, para quem deseja ser também um “capa negra”).
Com alguns anos de vida académica pela frente, espero também eu construir Coimbra como uma lição de sonho e tradição, onde só passa quem souber, e se aprende a dizer saudade.

Maria Daniela S. Pires"

1 comentário:

Açoriano disse...

:OOOOOOOOOOO

Porra, que grande texto da Maria, acho que vou já conhece-la.

A sério, espectacular mesmo...

Ah, e continua, que estou a gostar desta espécie de diário ;)