Feita que está a apresentação do projecto, é tempo de passar à acção propriamente dita.
E creio não estar errado ao afirmar que não há melhor maneira de começar um projecto do que pelo início. No meu caso e, quase que arriscaria dizê-lo, de todos os (futuros) caloiros) esse início acontece na altura em que temos a noção de que as escolhas estão feitas e a candidatura irremediavelmente entregue.
No entanto, este é um início algo ambíguo, pois é também ele o terminus de 12 anos - engraçada como é ténue a fronteira entre uma coisa e outra - em que a nossa vida foi facilitada pela "sorte" de não termos de fazer grandes escolhas.
Escolhas: é precisamente este o tema sobre o qual vai incidir o post de hoje.
A primeira que me recordo de fazer não foi bem uma escolha (e não me estou a referir entre ter de escolher entre francês ou inglês no 5º, entre ter ou não EMRC ou entre ter Visual ou Tecnológica no 9º). Ora vejamos: tinha acabado de concluir o 9º ano com a mesma classificação a todas as disciplinas, tinha feito os (arriscar-me-ia a dizer dispensáveis) testes psicotécnicos que me indicavam que estaria apto para qualquer área e não tinha nenhuma ideia concreta do que queria fazer "quando fosse grande". Posto isto, restava-me a gratificante tarefa de escolher o agrupamente a seguir apenas de acordo com o que eu gostava, sem a pressão psicológica de ter de excluir algum por ser mau à disciplina (vê-se muitos casos destes, principalmente em relação à Matemática e vá, no meu caso Artes não conta :P). E entre as específicas que diferenciavam os diversos agrupamentos, eu gostava principalmente de Matemática e de Fisica-Quimica. Concluindo: Ciências e Tecnologias seria o meu plano de estudos durante 3 anos.
3 anos que são marcados invariavelmente por duas coisas: preocupação com a média e o constante questionamento sobre o que seguir. Quanto à primeira preocupei-me em tê-la alta o suficiente para chegar a esta altura e estar relativamente sossegado quanto à pressão de poder não entrar. Consegui-o fazer. Possivelmente demasiado bem.
Quanto à segunda...bem, quanto a esta fui adiando com o sempre simpático "ainda não sei". E era verdade. Sabia que queria algo que envolvesse Matemática e Física (uma engenharia seria quase certa), mas não sabia o quê em concreto. Já tinha uma ideia de onde queria, mas mesmo essa ainda teve de ser posteriormente ponderada para estar certo que conseguia conciliar o que queria com o que seria a melhor decisão em termos de futuro profissional.
Findos estes 3 anos e feitos que estavam os exames, era altura de ponderar seriamente o que queria e devia seguir. E voltava a ponderar as minhas possibilidades: continuava a gostar de física e de matemática e sabia que queria uma engenharia. Foi com isto em mente que comecei a trocar impressões com colegas mais velhos, com colegas da minha idade, com o pessoal que ia deixando o seu testemunho no exames.org.
O primeiro feedback que tive só veio confirmar o que já sabia. FEUP e IST ainda são aos olhos de muita gente O local para se tirar uma engenharia em Portugal. O frase "Tens um gajo que tira um curso em Coimbra e outro no IST ou FEUP, mesmo que o de Coimbra tenha melhor média, qual achas que uma empresa vai contratar?" foi lida e ouvida por mim umas quantas vezes. Era uma pergunta retórica, no entanto, e para um qualquer caloiro que queira a minha opinião no futuro, a essa pergunta respondo o seguinte: só contrata o gajo do IST ou FEUP por dois motivos: ou tem protocolos com as instituições e por isso mesmo os alunos por elas formadas têm acesso directo, ou os directores de recursos humanos (DRHs) são umas bestas autênticas - é que julgar a habilidade de dois candidatos que hipoteticamente estão em igualdade de circunstâncias pelo sitio onde cada um estudou é tirar toda a autonomia e livre-arbitrio ao aluno, fazendo dele um ser sem capacidade de inciativa/empreendedorismo/curiosidade para ir mais além. Outro episódio que recordo bastante bem sobre este tema aconteceu entre mim e um amigo meu. Estavamos mais outro pessoal amigo a passar férias depois dos exames, quando ele se vira para mim e diz algo do género: "Tu sempre queres ir para Coimbra, não é?", ao que respondo que estava a pensar seriamente nessa possibilida. "Oh Luís, acho-te um crânio, muito mais inteligente do que eu, e vais tirar uma engenharia em Coimbra para quê?". O Rodolfo está também neste momento, tal como eu, à espera de colocação. Todas as opções dele foram para a FEUP.Ah, e convém referir que ele exagerou claramente na parte do crânio.
Mas retomando a ideia...
Apesar do que ouvia, o conceito de melhor a mim sempre me fez alguma espécie. Eram melhor em quê? Eram melhores porquê? Eram melhores em que sentido? É que apesar de tudo não tenho a minima dúvido que todo o prestígio que estas instituições têm é merecido e que são ambas do melhor que o país tem para oferecer no que a engenharias diz respeito. No entanto, teriam de ser também o melhor para mim para que as considerasse como escolhas definitivas para mim. Não o foram.
E não o foram porque o curso que depois de alguma pesquisa achei ser o indicado para mim (aqui não há muito a contar, cada um terá de saber isso por si) só havia no IST (referindo-me apenas a IST e FEUP) - Mestrado Integrado em Engenharia Física Tecnológica- e era ligeiramente diferente do que pretendia.
Escolhido que estava o curso - Eng. Física - era hora de escolher a instituição.
Há neste momento 4 instituições que oferecem o curso: FCUP, FCT-UNL, UA e FCTUC.
As duas primeiras fizeram-me "comichão" por serem mestrado integrados (a ideia de ser o único estudante na Europa a ter de os frequentar porque não dá jeito às escolas dividirem os cursos em dois ciclos normais ainda é algo que não consigo atingir plenamente...mas que sei eu? afinal de contas sou apenas um pré-caloiro.). Restava UA e FCTUC.
UA é mais perto de casa, tem vindo a ter cada vez mais prestígio (marketing? não dúvido que o seja em parte, mas dúvido ainda menos que terá também bastante mérito nisso), era uma licenciatura de 1º ciclo seguida de 2º ciclo, dando-me aquilo que Bolonha deveria oferecer a todos por direito: mobilidade.
No entanto, a escolha recaiu na FCTUC. Motivos houve vários: foi aqui que surgiu o primeiro curso de Eng.Física do país, o Departamento de Física da UC é tido como dos melhores do país, tem um corpo docente mais do que qualificado, segundo o que já pude apurar também é bastante dinâmico no que a actividades diz respeito, é constituido por um 1º ciclo seguido de 2º ciclo onde posso optar não por 1, não por 2, mas por 6 áreas de escolha (já estou a contar que quando concluir o meu 3º ano este mestrado esteja a funcionar a todo o gás), já conhecia o Departamento de ocasiões passadas. E estas foram as questões "racionais" para escolher este curso aqui. Razões estas que tinha de ter bem presentes para não escolher Coimbra por ser o sítio onde me via a estudar desde que me imaginei no Ensino Superior.
A escolha estava feita.
O passo seguinte foi ligar a Net, ir ao site da Direcção Geral do Ensino Superior e inserir os dados da candidatura. Fiz isto no dia 1 de Agosto.
Cumprimentos,
Luís Miguel
E creio não estar errado ao afirmar que não há melhor maneira de começar um projecto do que pelo início. No meu caso e, quase que arriscaria dizê-lo, de todos os (futuros) caloiros) esse início acontece na altura em que temos a noção de que as escolhas estão feitas e a candidatura irremediavelmente entregue.
No entanto, este é um início algo ambíguo, pois é também ele o terminus de 12 anos - engraçada como é ténue a fronteira entre uma coisa e outra - em que a nossa vida foi facilitada pela "sorte" de não termos de fazer grandes escolhas.
Escolhas: é precisamente este o tema sobre o qual vai incidir o post de hoje.
A primeira que me recordo de fazer não foi bem uma escolha (e não me estou a referir entre ter de escolher entre francês ou inglês no 5º, entre ter ou não EMRC ou entre ter Visual ou Tecnológica no 9º). Ora vejamos: tinha acabado de concluir o 9º ano com a mesma classificação a todas as disciplinas, tinha feito os (arriscar-me-ia a dizer dispensáveis) testes psicotécnicos que me indicavam que estaria apto para qualquer área e não tinha nenhuma ideia concreta do que queria fazer "quando fosse grande". Posto isto, restava-me a gratificante tarefa de escolher o agrupamente a seguir apenas de acordo com o que eu gostava, sem a pressão psicológica de ter de excluir algum por ser mau à disciplina (vê-se muitos casos destes, principalmente em relação à Matemática e vá, no meu caso Artes não conta :P). E entre as específicas que diferenciavam os diversos agrupamentos, eu gostava principalmente de Matemática e de Fisica-Quimica. Concluindo: Ciências e Tecnologias seria o meu plano de estudos durante 3 anos.
3 anos que são marcados invariavelmente por duas coisas: preocupação com a média e o constante questionamento sobre o que seguir. Quanto à primeira preocupei-me em tê-la alta o suficiente para chegar a esta altura e estar relativamente sossegado quanto à pressão de poder não entrar. Consegui-o fazer. Possivelmente demasiado bem.
Quanto à segunda...bem, quanto a esta fui adiando com o sempre simpático "ainda não sei". E era verdade. Sabia que queria algo que envolvesse Matemática e Física (uma engenharia seria quase certa), mas não sabia o quê em concreto. Já tinha uma ideia de onde queria, mas mesmo essa ainda teve de ser posteriormente ponderada para estar certo que conseguia conciliar o que queria com o que seria a melhor decisão em termos de futuro profissional.
Findos estes 3 anos e feitos que estavam os exames, era altura de ponderar seriamente o que queria e devia seguir. E voltava a ponderar as minhas possibilidades: continuava a gostar de física e de matemática e sabia que queria uma engenharia. Foi com isto em mente que comecei a trocar impressões com colegas mais velhos, com colegas da minha idade, com o pessoal que ia deixando o seu testemunho no exames.org.
O primeiro feedback que tive só veio confirmar o que já sabia. FEUP e IST ainda são aos olhos de muita gente O local para se tirar uma engenharia em Portugal. O frase "Tens um gajo que tira um curso em Coimbra e outro no IST ou FEUP, mesmo que o de Coimbra tenha melhor média, qual achas que uma empresa vai contratar?" foi lida e ouvida por mim umas quantas vezes. Era uma pergunta retórica, no entanto, e para um qualquer caloiro que queira a minha opinião no futuro, a essa pergunta respondo o seguinte: só contrata o gajo do IST ou FEUP por dois motivos: ou tem protocolos com as instituições e por isso mesmo os alunos por elas formadas têm acesso directo, ou os directores de recursos humanos (DRHs) são umas bestas autênticas - é que julgar a habilidade de dois candidatos que hipoteticamente estão em igualdade de circunstâncias pelo sitio onde cada um estudou é tirar toda a autonomia e livre-arbitrio ao aluno, fazendo dele um ser sem capacidade de inciativa/empreendedorismo/curiosidade para ir mais além. Outro episódio que recordo bastante bem sobre este tema aconteceu entre mim e um amigo meu. Estavamos mais outro pessoal amigo a passar férias depois dos exames, quando ele se vira para mim e diz algo do género: "Tu sempre queres ir para Coimbra, não é?", ao que respondo que estava a pensar seriamente nessa possibilida. "Oh Luís, acho-te um crânio, muito mais inteligente do que eu, e vais tirar uma engenharia em Coimbra para quê?". O Rodolfo está também neste momento, tal como eu, à espera de colocação. Todas as opções dele foram para a FEUP.Ah, e convém referir que ele exagerou claramente na parte do crânio.
Mas retomando a ideia...
Apesar do que ouvia, o conceito de melhor a mim sempre me fez alguma espécie. Eram melhor em quê? Eram melhores porquê? Eram melhores em que sentido? É que apesar de tudo não tenho a minima dúvido que todo o prestígio que estas instituições têm é merecido e que são ambas do melhor que o país tem para oferecer no que a engenharias diz respeito. No entanto, teriam de ser também o melhor para mim para que as considerasse como escolhas definitivas para mim. Não o foram.
E não o foram porque o curso que depois de alguma pesquisa achei ser o indicado para mim (aqui não há muito a contar, cada um terá de saber isso por si) só havia no IST (referindo-me apenas a IST e FEUP) - Mestrado Integrado em Engenharia Física Tecnológica- e era ligeiramente diferente do que pretendia.
Escolhido que estava o curso - Eng. Física - era hora de escolher a instituição.
Há neste momento 4 instituições que oferecem o curso: FCUP, FCT-UNL, UA e FCTUC.
As duas primeiras fizeram-me "comichão" por serem mestrado integrados (a ideia de ser o único estudante na Europa a ter de os frequentar porque não dá jeito às escolas dividirem os cursos em dois ciclos normais ainda é algo que não consigo atingir plenamente...mas que sei eu? afinal de contas sou apenas um pré-caloiro.). Restava UA e FCTUC.
UA é mais perto de casa, tem vindo a ter cada vez mais prestígio (marketing? não dúvido que o seja em parte, mas dúvido ainda menos que terá também bastante mérito nisso), era uma licenciatura de 1º ciclo seguida de 2º ciclo, dando-me aquilo que Bolonha deveria oferecer a todos por direito: mobilidade.
No entanto, a escolha recaiu na FCTUC. Motivos houve vários: foi aqui que surgiu o primeiro curso de Eng.Física do país, o Departamento de Física da UC é tido como dos melhores do país, tem um corpo docente mais do que qualificado, segundo o que já pude apurar também é bastante dinâmico no que a actividades diz respeito, é constituido por um 1º ciclo seguido de 2º ciclo onde posso optar não por 1, não por 2, mas por 6 áreas de escolha (já estou a contar que quando concluir o meu 3º ano este mestrado esteja a funcionar a todo o gás), já conhecia o Departamento de ocasiões passadas. E estas foram as questões "racionais" para escolher este curso aqui. Razões estas que tinha de ter bem presentes para não escolher Coimbra por ser o sítio onde me via a estudar desde que me imaginei no Ensino Superior.
A escolha estava feita.
O passo seguinte foi ligar a Net, ir ao site da Direcção Geral do Ensino Superior e inserir os dados da candidatura. Fiz isto no dia 1 de Agosto.
Cumprimentos,
Luís Miguel

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